Paródia Metal Gear
Paródia de espionagem com uma narrativa pouco comum no conjunto. Cinemáticas longas, fiel ao tom do original.
O nosso veredicto
Pontos fortes
- Narrativa pouco comum entre as paródias
- Fiel ao tom do original
- Gratuito
Pontos fracos
- Cinemáticas longas e não saltáveis
- Controlos rígidos
- Poucas cenas
Metal Gear é uma paródia de espionagem militar, sem qualquer ligação à série de videojogos cujo imaginário toma emprestado. Recupera o cenário, o vocabulário e a silhueta das personagens e transporta-os para um título para adultos que segue uma lógica própria. O que o distingue da maioria das paródias do género cabe numa frase: aqui conta-se alguma coisa, em vez de encadear cenas sobre um pano de fundo reconhecível.
O que significa exatamente a palavra paródia
O rótulo dá jeito para objetos que têm muito pouco em comum. Na versão mais preguiçosa, a paródia resume-se a um disfarce: um cenário evocativo, dois ou três adereços, e o resto é um simulador vulgar. Na versão trabalhada, vai buscar também uma estrutura narrativa, um tom, uma forma de montar as sequências. Este título pertence à segunda categoria, e daí saem tanto a sua principal qualidade como o seu principal defeito.
Não existe ligação oficial à obra parodiada, e o jogo também não a reivindica.
Os nomes das personagens estão alterados, não há logótipos, e o conjunto mantém-se à distância das marcas registadas sem deixar de ser reconhecível de imediato para quem conhece a série original. É a prática corrente neste segmento e tem uma consequência concreta para quem joga: não conte encontrar as personagens tal como as conhece, nem qualquer continuidade com a ficção de partida. São arquétipos, transpostos com fidelidade suficiente para que a referência funcione e com liberdade suficiente para que continue a ser uma paródia.
O cenário e o enredo
A ação arranca depois de um acidente de avião, numa zona desértica onde a personagem principal tem de alcançar um objetivo e sobreviver. O enredo recupera os códigos do filme de infiltração: uma base a atingir, alvos a neutralizar, documentos a recuperar e uma antagonista atiradora cujo confronto organiza a progressão. As cenas para adultos entram nos pontos de viragem da narrativa, como desfecho de uma sequência e não como interrupção.
O deserto, aqui, é mais do que um fundo de ecrã.
Impõe longos trechos de deslocação, linhas de visão desimpedidas e uma leitura constante do terreno, e serve ainda de desculpa para uma cenografia despojada que visivelmente convém à produção. Poucos interiores, pouca multidão, poucos elementos a modelar: a opção estética e a económica coincidem. O resultado aguenta-se, com imagens de síntese razoáveis para o género, mas o conjunto estreita-se depressa assim que se tenta explorar algo diferente do caminho previsto.
O ciclo de jogo
Avança-se de um objetivo para o seguinte encadeando sequências curtas, fechadas cada uma sobre si mesma. O título propõe duas abordagens, a discrição e o confronto direto, numa piscadela de olho evidente ao jogo de infiltração de que parte. Na prática a margem é estreita: as duas vias desembocam no mesmo desfecho, e a escolha tem mais que ver com a cor dada à sequência do que com uma ramificação verdadeira.
É uma paródia de mecânicas tanto quanto uma paródia de universo.
O número de cenas distintas mantém-se modesto, claramente abaixo do que propõem os simuladores generalistas da comparação. A duração assenta, portanto, na narrativa e não no volume. Quem chegar à procura de um catálogo para percorrer esgota-o numa ou duas sessões e acha a oferta magra. Quem chegar à procura de uma história dura mais tempo, desde que aceite o ritmo imposto pela encenação.
As cinemáticas, principal ponto de atrito
São longas, são muitas e não se podem saltar. É a crítica mais constante que se pode fazer ao título, e pesa ainda mais porque se repete a cada nova partida: recomeçar significa rever por inteiro sequências já conhecidas. Numa primeira sessão, essa generosidade narrativa marca a diferença face às paródias concorrentes. À terceira, torna-se uma maçada.
A opção é coerente, mas teria feito falta uma forma de a suavizar.
Os comandos
O controlo é rígido, com deslocações lentas e uma câmara pouco colaborante nos espaços apertados. Nada de insuperável, já que o jogo nunca exige precisão real, embora a comparação com as produções comerciais que parodia lhe saia inevitavelmente cara. As fases de ação atravessam-se mais do que se jogam, e é melhor encará-las como revestimento da narrativa do que como desafio.
O título é uma experiência a solo, sem qualquer modo para vários jogadores.
Conteúdo adicional e envolvente
Uma secção multimédia acompanha o jogo e reúne conteúdos que não lhe pertencem: sequências de vídeo adicionais e uma galeria de ilustrações em estilo de animação japonesa. São extras da plataforma mais do que do jogo, e convém sabê-lo antes de contar as cenas anunciadas. A página que aloja o título mostra ainda publicidade, discreta mas presente, que quebra com regularidade a atenção durante os tempos de carregamento.
A distância entre o cuidado posto no jogo e o estado da sua envolvente é evidente.
Plataformas, idiomas e acesso
O título funciona em PC e em Mac, com uma versão acessível a partir do navegador para quem prefere não instalar nada. Esta última via é a mais rápida de experimentar e a mais limitada em conforto. Em Mac, os tempos de transferência são sensivelmente mais longos, ao ponto de serem apontados como defeito por quem joga. Não há qualquer compatibilidade com óculos de realidade virtual. Estão disponíveis cinco idiomas de interface, valor acima da média das paródias da comparação.
Não publicamos condições de acesso nem condições tarifárias, que mudam demasiadas vezes para se manterem fiáveis depois de escritas.
Vale a pena experimentar
Sim, se conhece a série parodiada e se a promessa de uma narrativa lhe interessa mais do que um catálogo de cenas. A construção narrativa é realmente pouco comum neste segmento, o tom mantém-se do princípio ao fim e o cuidado posto em guarda-roupa e adereços nota-se.
Não, se procura volume, um controlo flexível ou a possibilidade de ir direto ao conteúdo. As cinemáticas não saltáveis e o número reduzido de cenas são dois defeitos estruturais que a qualidade do resto não compensa.
O jogo tem ligação à série original?
Não. É uma paródia independente, sem licença e sem continuidade com a obra parodiada. Os nomes das personagens estão alterados e apenas o imaginário geral, cenários, roupas e adereços, serve de referência.
É possível saltar as cinemáticas?
Não, e essa é a principal crítica feita ao título. São longas, voltar atrás implica vê-las de novo por inteiro, e nenhuma opção permite encurtá-las.
Em que máquinas funciona?
Em PC e em Mac, e também no navegador. Os tempos de transferência são mais longos do lado Mac, que continua a ser o ponto negro assinalado com mais frequência nessa plataforma.
É possível jogar com outras pessoas?
Não. O título joga-se a solo do princípio ao fim. Não há modo multijogador, nem versão para óculos de realidade virtual.
Quantas cenas tem o jogo?
Menos do que os simuladores generalistas da comparação. O título aposta na construção narrativa e não no volume, e a secção multimédia que o acompanha pertence à plataforma, não ao jogo.
Perguntas frequentes
Que nota obtém Paródia Metal Gear?
Paródia Metal Gear obtém 7.4 em 10, calculada a partir de quatro critérios ponderados: gráficos 7.7, jogabilidade 7.5, conteúdo 7.0, usabilidade 7.2.
Em que plataformas funciona Paródia Metal Gear?
Paródia Metal Gear funciona em PC · Mac · Navegador.
Paródia Metal Gear é compatível com óculos VR?
Não, Paródia Metal Gear não oferece modo de realidade virtual.